Yoga no Brasil

História do Yoga no Brasil

O Yoga é buscado hoje em dia por muitas empresas, pessoas e estudiosos no Brasil e no mundo. Aos poucos foi sendo aceito como ciência e não mais como mera apresentação mitológica ou infundada mística. Devido aos seus benefícios reais, o Yoga tem mudado a vida de milhões de pessoas nas mais diferentes culturas. No Brasil, vemos o seu desenvolvimento crescente e sua popularização gradual ocorrendo, principalmente a partir dos anos de 1990.

Nos períodos que antecederam sua expansão à grande massa o Yoga passou por diferentes situações mostrando como em tudo ocorre a interferência do homem, colocando sua ação política e seus interesses pessoais acima dos princípios que o próprio Yoga promulga. Portanto, adiantamos que mesmo diferenças de visão e posicionamentos políticos que ocorreram no estabelecimento do Yoga no Brasil teve, além dos resquícios de ego de alguns líderes e mestres de Yoga, forte influência das condições Institucionais presentes na sociedade brasileira nos períodos de ditadura militar. Ou seja, o espírito ditatorial da política brasileira acabou por influenciar o desenvolvimento do Yoga no Brasil, em certo período. Pedimos aos leitores, desse modo, não considerar as implicações morais e éticas que faltaram em alguns momentos da História do Yoga no Brasil, mas analisar os valores reais e imprescindíveis que o Yoga traz a todos nós. Em outras palavras, é possível aplicar Yoga na política, mas não é favorável fazer política com o Yoga.

A chegada

Historicamente em 1930 Swami Sivananda chega a Brasil dando início à tradição do Yoga no Brasil. Mas, o Yoga oficialmente se iniciou em 1.944, como a vinda do francês Swami Asuri Kapila (1.901-1955) a Porto Alegre. Swami Asuri pertencia ao Ramana Ashram-Escola Internacional de Yoga e, em 1947, seu discípulo e amigo Sevananda Swami (Leo Alvarez Costet de Mascheville), do Suddha Dharma Mandalam, também francês e criador do Sarva-yoga (Yoga Integral), apresentou seus ensinamentos em um Congresso no Rio de Janeiro, diante de mais de 5.000 pessoas, entre eles o General Caio Miranda.

Sevananda era um líder natural que detinha conhecimentos da sabedoria ocidental e procurava uni-la ao método milenar hindu, adaptando parte do sistema de Swami Asuri Kapila, Sri Aurobindo e admitindo as variadas linhas de Vivekananda, Ramakrishna, Sivananda, Yogananda e Ramana Maharish como fundamentos de seu sistema. Valendo-se de seu carisma, viajou por várias cidades dando palestras. Em 1.953 recebe de doação um terreno de 12 hectares em Rezende (RJ). Neste local funda, em 19 de novembro de 1.953, Amo-Pax, um centro esotérico com um Asram de Sarva-yoga e um Mosteiro Essênio, no mesmo espaço. Para isto contou com auxílio de sua esposa, Sadhana, de seu discípulo Swami Sarvananda e de Sri Vayuananda, que era discípulo direto de Swami Asuri Kapila.

Em 1.952 chega ao Brasil outro francês, o fisicultor francês Jean Pierre Bastiou (Vasudev), com algum conhecimento do Yoga dado por um indiano franzino que o procurara, na França, querendo pagar as aulas de fisicultura com aulas de Yoga. Abre uma academia de fisicultura e, anos depois, entra como monge no mosteiro Amo-Pax onde recebeu uma vasta orientação espiritual, numa mescla de Sudha Dhama Mandalam, esoterismo, rosa-cruz, teosofia e Yoga. Notamos que ainda não havia uma linhagem clara e definida nestes primeiros líderes, com exceção de Swami Sivananda. Em junho de 1.961, dissolve-se o Monastério de Resende e cada um toma seu caminho próprio. Sevananda Svami e parte dos residentes partem para Lajes (SC).

As Primeiras Escolas de Yoga

Em 1.956, o reconhecido professor paulista Shotaro Shimada, de maneira simples, mas com muita seriedade e competência, oferecia aulas a cerca de 30 alunos em São Paulo. Shimada era praticante de judô e praticava Yoga visando desenvolver a autodeterminação e o aumento da concentração. Em 1.957, o professor Jean Pierre Bastiou inicia suas aulas de yoga numa academia no Rio de Janeiro. Esta é considerada a primeira academia que se tem notícia no Brasil e foi fundada oficialmente em dezembro de 1.958, com a autorização e bênção de Svami Sivananda. Bastiou foi o responsável por levar o primeiro grupo de estudantes à Índia, objetivando a formação dos primeiros instrutores de Yoga no Brasil.

Neste mesmo ano, 1.958, Shotaro Shimada, abre o Instituto de Cultura Yoga Shimada em São Paulo: “Naquele tempo, o Yoga era visto como faquirismo e não como uma ciência, um sistema, porque realmente o Yoga desenvolve certos poderes, porque tudo é fruto do poder da mente”, recorda Shimada. Prof. Hermógenes, Dr. Gharote, Prof. Shimada e Marcos Rojo, valorizavam os livros de Svami Kuvalayananda, representado no Brasil pelo professor Manohar Laxman Gharote, por sua tradição e princípios.

Svami Kuvalayananda é conhecido como o pioneiro do Yoga científico, fundador do Kaivalyadhama Yoga Institute, e Dr. Gharote especializou-se em pesquisas científicas, treinamento em Yoga e yogaterapia, sendo colaborador, autor e co-autor de inúmeros trabalhos científicos sobre esse tema. A partir da década de 1960, os professores brasileiros foram formados por Mestres da Índia, tais como Swami Vishnudevananda, Dattatreya, Dayananda, Yogendra, Swami Sivananda, B.K.S. Iyengar, Sri Krishinamacharya, Sri Desikachararya, Maharishi Mahesh Yogi, Dhirendra Bramachari, Gerard Blitz dentre outros.

Em Fortaleza, nesta mesma década, já existiam aulas de Yoga lideradas pela professora Marúsia Ramalho Batista. A s aulas atraíam cerca de 200 alunos em sua academia no centro da cidade. Ela contava com os professores Houdinne (seu ex-aluno) e Zoni Proença. Professor Houdinne era chamado `o mágico’ devido às proezas que demonstrava em público através do controle mental e telepatia. No Rio de Janeiro, Alberto Lohman foi o pioneiro a levar a prática de Yoga para os hospitais psiquiátricos. Seu trabalho foi desenvolvido a partir dos ensinamentos recebidos enquanto participante das atividades desenvolvidas pelo Amo-Pax. Alberto Lohman, que também era médico psiquiatra, em parceria com prof. Hermógenes, estendeu esse trabalho aos hospitais não psiquiátricos. Isto tornou o exemplar Professor Hermógenes como o pioneiro em medicina holística no Brasil.

Ainda na década de 1.960, Caio Miranda escreveu o primeiro livro brasileiro sobre Yoga, fundou academias em diversas cidades e formou os primeiros instrutores de Yoga, introduzindo o Yoga como profissão, ao contrário da direção mística e monástica de Sevananda. Assim, crescia o Yoga no Brasil, através do carismático e controvertido Caio Miranda, de Svami Dattatreya Maharaj, Profa. Neusa Veríssimo, Prof. Hermógenes e sua esposa Maria Bicalho.

Em 1.962, é fundada no Rio de Janeiro a Academia Hermógenes de Yoga. Neste período, a academia teve a colaboração de Vayuananda, vindo da experiência de Rezende. Durante todos os anos de trabalho, professor Hermógenes nunca promoveu nenhum curso de formação de professores, mas preparou pessoalmente inúmeros professores, ao longo de anos de prática e convívio. Hermógenes inicia seus escritos também nesta década, e se desponta como uma autoridade do Yoga no Brasil, devido a sua competência e seriedade. Assim, Hermógenes e General Caio Miranda, foram os pioneiros na literatura do Yoga no Brasil.

Período de Ditadura e Política do Yoga no Brasil

À medida que o clima político do Brasil ganhava contornos sombrios, crescia uma névoa pelos corredores políticos do Yoga brasileiro. Delineavam-se os rumos políticos que o ensino e a propagação do Yoga ganhariam no país e no mundo ocidental. A tensão do espírito político acabou invadindo a serenidade do Yoga, mostrando que ainda havia muita maturidade a ser desenvolvida por alguns líderes do Yoga.

De certa forma, a questão institucional do ensino do Yoga no país também passou por este momento de divergências. Em 1.964, o professor De Rose funda, aos 20 anos de idade, o Instituto Brasileiro de Yoga. Em 1.965, Maria José Marinho, funcionária da Justiça Federal em Belo Horizonte, inaugura um Curso de Yoga numa pequena sala alugada. Em 1.966, o Centro de Estudos Yoga Narayana, é aberto em São Paulo, por Maria Helena de Bastos Freire. Assim, nas décadas de 50 e 60, o desenvolvimento do Yoga se deu através de academias, com os ensinamentos sendo repassados por transmissão oral.

No Rio Janeiro, Sri Vayuananda, na Academia de Yoga Vayuananda, funda o 1º Curso de Formação de Professores de Yoga Sri Vayuananda. Em dezembro de 1.967, Neusa Veríssimo convive por 15 dias com o professor Caio Miranda, recebendo ensinamentos diretamente dele, e retorna com uma autorização para abrir, em Fortaleza, uma sucursal do Instituto de Yoga Caio Miranda. Também no fim da década de 1.960, começa a lecionar em Fortaleza o Major Dentista do Exército Milton Bezerra da Cunha, amigo pessoal do General Caio Miranda, que exerceu grande influência como professor de Yoga em Fortaleza. Com a morte do Professor Caio Miranda (em 1.969) e de Sevananda Svami (em 1.970), a liderança do Yoga no Brasil se fragmentou. A filha de Caio Miranda, Leda Miranda, não teve interesse em manter as sucursais espalhadas pelo país e Neusa mudou o nome de seu instituto para `Instituto Neusa Veríssimo’, em julho de 1.970.

A idéia de formação de uma associação que divulgasse uma linha tradicional do Yoga baseado no Yoga de Patañjali, surgiu na Índia, em 1.973. Neste ano um grupo de professores de Yoga brasileiros, liderados pelo professor Jean Pierre Bastiou, foram fazer um curso no Yoga Institute, em Bombaim, com Sri Yogendra. Esses professores expuseram ao Mestre suas preocupações com o rumo que a prática e o ensino do Yoga estavam tomando no Brasil e foram aconselhados a, ao voltarem ao seu país, organizar um grupo de professores e fundar uma associação que visasse a divulgar o Yoga tradicional. Os professores que lá se encontravam na ocasião se reuniram no hotel onde estavam hospedados e fizeram a primeira reunião da denominada Associação Brasileira de Professores de Yoga (ABPY), em fevereiro de 1.973.

Faziam parte deste grupo os professores: Jean Pierre Bastiou, sua esposa Zilá, Maria Augusta Figueira Cavalcanti, Orlando Cani e Nara Cani, Dagmar Krebs e Jacy Pontes Vaz. Ao voltar ao Brasil, este grupo se reuniu pela segunda vez, agora na casa do prof. No Rio de Janeiro, Orlando Cani para traçar os planos para a fundação da associação e a contatar outros professores que tivessem interesse em participar deste trabalho. Foram, assim, convidados os professores Vitor Binot, Sri Vayuananda, Eneida de Oliveira Santos, Nilda Fernandes Mesquita, Marly Rafael Mayer.

Em 10 de outubro de 1.973 oficializou-se a Associação Brasileira de Professores de Yoga. Todos aqueles que participaram do curso no Yoga Institute naquele ano, e mais os professores convidados pelo grupo original, foram os sócios fundadores e constam no Estatuto da ABPY. Posteriormente, a ABPY associou-se à União Européia de Associações Nacionais de Yoga (UEANY), liderada por Gérard Blitz.[i] (nota final do texto)

Oficializando a Formação de Instrutores de Yoga

Em 1.972, a paulista Maria Helena de Bastos Freire funda, em nível Universitário, o 1º Curso de Formação de Professores de Yoga, com duração de três anos e meio (2.200 horas). Perdurando até os dias de hoje, já formou centenas de professores e foi o primeiro curso desse nível em toda a América Latina. Em 1.975, ela cria a Associação Internacional de Professores de Yoga do Brasil (AIPYB), filiada à International Yoga Teachers Association, da Austrália. No mesmo ano surgiu a União Nacional de Yôga (Uni-Yôga), liderada por De Rose, que revive o Yoga Tântrico e recodifica o Yoga antigo, sendo em sua obra muito polêmico e controverso.

Posteriormente, os grupos da Associação Brasileira de Professores de Yoga (ABPY) e da Associação Internacional de Professores de Yoga do Brasil (AIPYB), uniram-se e criaram a Federação de Yoga do Brasil (um erro legal, pois deveria ter sido fundada uma Confederação, pois as Federações são estaduais), fomentando uma união entre os grupos do Rio de Janeiro e de São Paulo. A professora Maria Helena de Bastos Freire, então, presidiu a Federação e representava o Yoga no Brasil, juntamente com De Rose. Após certos desencontros posteriores entre Vayuananda e a ABPY, e entre esta última e a AIPYB, os grupos do Rio de Janeiro e São Paulo terminaram por se separar, cancelando sua aliança anterior. Além disso, as políticas completamente divergentes da International Yoga Teachers Association (a quem a AIPYB era filiada) e da União Européia de Federações Nacionais de Yoga (a quem a ABPY era filiada), impossibilitaram um acordo final, além de criar uma rivalidade, a essa altura internacional, apesar de, originalmente, a organização australiana ter sido criada para ingressar na União Européia. Assim, a Federação de Yoga do Brasil (FYB) passou a ser comandada apenas pelos membros da AIPYB de São Paulo, que passaram a nomear representantes e criando associações estaduais.

A Tradição do Yoga Chega ao Brasil

Em dezembro de 1973 circulam pelo Brasil os primeiros representantes de Bhakti-yoga em solo brasileiro. Vinham com a mensagem de Bhaktivedanta Swami Prabhupada, um mestre espiritual indiano, que chegara ao Ocidente com 70 anos de idade. A cultura de Bhakti-yoga, como um sistema de yoga baseado no milenar conhecimento preservado na linhagem (sampradaya) Gaudiya Vaishnava, rapidamente se propagou pelo Brasil atraindo milhares de pessoas, dentre as quais, em sua maioria, praticantes de Hatha-yoga, mas que buscavam pela realização prática do Yoga mais do que o mero bem estar físico que o Hatha-yoga proporcionava. Bhaktivedanta Swami se destacou entre os estudiosos, cientistas e intelectuais acadêmicos por apresentar o Yoga em seu estado puro, sem interesses pessoais que se adaptassem ao contexto cultural e social no Ocidente.

Valendo-se do simples e imediato processo de Mantra-yoga, muitas pessoas tiveram uma experiência mística fundamentada em grande obra literária e filosófica produzida ao longo dos séculos por teólogos e bhakti-yogis, e que comprovavam documentadamente as experiências vividas pelos bhakti-yogis. Vinda da região West-Bengal, Índia, a escola de Bhakti-yoga de Bhaktivedanta Swami Prabhupada foi sendo estabelecida numa trajetória paralela à conturbada política do Yoga no Brasil.

Bhaktivedanta Swami era uma autoridade no Yoga e foi o Fundador Acharya da Sociedade Internacional da Consciência de Krishna. Foi o único mestre espiritual do Yoga a apresentar as conclusões do Vedanta sob a compreensão personalista da Verdade Absoluta, a meta do Yoga apresentada por Patañjali (isvara pranidhana) e pelos grandes sábios da era védica, como Dvaipaiana Vyasadeva (krsnas tu bhagavam svayam). Ao mesmo tempo, Bhaktivedanta Swami foi o único a comprovar a importância de se aceitar um Guru fidedigno para se adentrar na prática autêntica do Yoga. Mesmo com toda sua importância para o Yoga no Ocidente, Bhaktivedanta Swami ficou pouco conhecido, pois procurou difundir a consciência do Yoga, e não sua imagem como mais um mestre de Yoga.

Divergências no Caminho da Unidade

Em 1.978, De Rose liderou a campanha pela criação e divulgação do Primeiro Projeto de Lei visando à Regulamentação da Profissão de Professor de Yoga. Sob sua influência, surgiram diversos Cursos de Extensão Universitária para a Formação de Instrutores de Yoga em inúmeras Universidades pelo país. Em 1.981, Svami Sarvananda, Pierre Weil, Vasudev, Maria Luiza S. Keddy e o casal Neyda e Octávio Melchyades Ulysséa, fundaram o 1º Curso Regular de Formação em Yoga, na atual Faculdades Integradas Espírita, na época chamada de Faculdade de Ciências Bio-Psíquicas do Paraná. Inaugura-se, nas décadas de 80 e 90, o surgimento de Federações e Associações por todo o país, com cursos de formação e abertura de academias.

Com o falecimentode Vayuananda em 1.987, a ABPY passou a ser comandada indiretamente pelo professor Hermógenes, presidida sempre por pessoas próximas dele, e isso formou uma divisão infranqueável entre os conceitos de Yoga de Maria Helena de Bastos Freire e os do professor Hermógenes. Se os pontos de vista de Maria Helena e Hermógenes eram evidentemente discordantes, não menos o era a destes com De Rose. Então, grupos simpáticos ao Professor Hermógenes junto com outras associações estaduais constituíram a Confederação Brasileira de Professores e Praticantes de Yoga (COBAPEPY), cuja primeira presidência recaiu na ABPY, na pessoa da professora Marilda Velloso.

O Brasil tinha, então, a Federação de Yoga do Brasil (comandada por Maria Helena de Bastos Freire), nove Federações estaduais (comandadas por De Rose) e duas Confederações Brasileiras, uma administrada pela ABPY e outra por De Rose. Na prática continuavam existindo apenas três entidades nacionais: a Federação de Yoga do Brasil (FYB), a Uni-Yôga e a ABPY.

Em 1.985 com Gerrad Blitz (Escola Krishnamacharya) e Sri Vayuananda e Swami Miatreyananda (Escola Swami Asuri Kapila) é fundada a CULFNY. No mesmo ano é fundada a “Confederación y Unión Latinoamericana de Federaciones Nacionales de Yoga” pelo Swami Maitreyananda da linha de Swami Asuri Kapila, Mataji Indra Devi da linha de Kirshnamacharya, Swamini Dayananda e Vayuananda da linha de Swami Asuri Kapila e Gerad Blitz da União Européia de Associações Nacionais de Yoga (UEANY), que, posteriormente, muda seu nome para Unión Latino Américana de Yoga (ULY). Presidido pelo Swami Miatreyananda (Dr. Estevez-Griego) e tendo como presidente de honra Mataji Indra Devi (até a data de sua morte, em 2.003), sua missão era agrupar as associações nacionais da América Latina (Argentina, Brasil, México, Chile, Colombia, Uruguay, Cuba, Quebec), estabelecer intercâmbios e formar um Conselho Latinoamericano de Yoga. Na época, a FYB era presidida por Cyrenia Carvalho (pessoa de confiança de Maria Helena de Bastos Freire) e De Rose se alternava entre Rio e São Paulo disseminando o Swásthya Yôga. Em São Paulo ocorreu o surgimento de um quarto nome trazendo outro ponto de vista: Cláudio Duarte, representante do que ele denominou “Yóga Clássico”.

Em 1.987, a Uni-Yôga, a FYB e a ABPY se filiam à ULY e a Federação Internacional de Professores e Profissionais de Yoga, porém as divergências destas eram tão fortes que obrigaram que a vice-presidência do organismo fosse dada a alguém neutro e independente. Foi assim que Duarte assumiu a vice-presidência da ULY e começou a fazer-se conhecer no campo do Yoga. Porém, valendo-se desta estratégia, longe de unir o Yoga do Brasil, a iniciativa da ULY só fomentou um quarto poder que passou a disputar seu espaço, com um Claudio Duarte desafiando ostensivamente a De Rose, Hermógenes e Maria Helena. Nesse mesmo ano, Swami Maitreyananda (Yogacharya Dr. Fernando Estévez Griego linha Swami Asuri Kapila), Mataji Indra Devi (linha Kirshnamacharya, Swamini Dayananda) e Vayuananda (linha Swami Asuri Kapila) e De Rose (linha Swasthya), Claudio Duarte (linha Yoga Classico), Fernando Pintos ABPY e Gerad Blitz da União Européia de Associações Nacionais de Yoga (UEANY) fundam a Federação Internacional de Professores e Profissionais de Yoga (Federação Internacional de Yoga) com sede em Montevidéu, contando com apoio do próprio Vayuananda e de Indra Devi.

A presidência transitou pelos seguintes nomes:

Entre 1987-1989, De Rose é eleito presidente;

1989-1991 Swami Maitreyananda;

1992-1996 Yogavatar Kirshna Kisores Das;

1997-2001 – Yogacharya Valle;

2002-2005 Swami Maitreyananda

2006-2010 – Swami Dayananda

No Brasil, Cláudio Duarte funda a “Escola Nacional de Yoga”. Taunai Valle funda a “União Brasileira de Professores Profissionais de Yoga” (com apoio da ULY e FIY o), Taunai é eleito s presidente da Confederação Brasileira de Yoga e Comissões Brasileiras de Yoga. Todos participavam dos mesmos eventos da ULY, mas, em vez de uma união, havia uma desunião e competição egoísta velada nos bastidores. Firme mesmo, só a intenção da ULY de criar um Conselho Latinoamericano de Yoga.

Yoga e Ego no Brasil

No Congresso de Yoga realizado no Rio de Janeiro em 1.997, discutiu-se, em clima tenso, a fundação de uma Confederação que unificasse as entidades no país. Todos, em tese, apoiavam a iniciativa, mas alguns obstáculos jurídicos foram encontrados pelas professoras Hilda Castelo de Lacerda e Neusa Veríssimo. A reunião foi pouco produtiva, com a saída do Professor Hermógenes logo no início da reunião. Meses depois ocorre uma nova reunião no Rio de Janeiro, na residência da Professora Norma Pinheiro Alves, para estudar assuntos relativos à futura Confederação, sem a presença de De Rose, mas a idéia não consegue se materializar.

Em 2.000 surge a polêmica CONFEF, onde, na proposta de regulamentação da profissão de Educador Físico, atividades com as artes marciais, danças e yoga ficaram incluídas como exclusivas da profissão de Educador Físico. Começa uma briga jurídica e nos bastidores do mundo do Yoga que finda em um contrato assinado de cooperação entre a CONYB e a CONFEF e CBY com CONFEF. No ano 2000 existiam três confederações: CBY de Valle, a CNFEY de De Rose, a CONYB de Mari Helena Schmidt. É fundada, também neste ano, a Aliança do Yoga do uruguaio Pedro Kupfer. Swami Maitreyananda abandona seu título de presidente de honra da Confederação Brasileira de Yoga (CBY), em dezembro 2.001, decepcionado com o apoio do presidente da CBY (Taunai Valle) à submissão ao Conselho Federal de Educação Física (CONFEF). Do outro lado, o professor Hermógenes também abandona a presidência de honra da Confederação Nacional de Yoga do Brasil (CONYB).

Como resultado, Swami Maitreyananda declara que “Yoga é Educação Espiritual não é Educação Física”. Em 2.002, a Federação Internacional de Professores e Profissionais de Yoga se transforma na Federação Internacional de Yoga “International Yoga Federation”, após fusão com o Conselho Mundial de Yoga (World Yoga Council), World Union of Yoga, instituição fundada por Bhagavan Krishna Kisore Das (New Delhi – India) e Swami Miatreyananda, em 1.980. Dr. Fernando Estévez Griego é eleito seu presidente (de 2.002 a 2.005) e logo Swamini Dayananda (de 2006 a 2010).

Novos Rumos Éticos no Yoga do Brasil

Em 2.003-2004, a professora Neusa Veríssimo coordena o 1º Curso de Especialização em Yoga, a nível de Pós-graduação lato-sensu, em parceria com a Universidade de Fortaleza (UNIFOR), contando com professores locais e nacionais, como uma forma de iniciar uma profissionalização do professor de Yoga: uma das estratégias para se desvincular o Yoga da Educação Física.

Paralelamente ao que ocorria nas questões administrativas e políticas do Yoga no Brasil, alguns novos instrutores foram desenvolvendo seus trabalhos mais focados na experiência que o Yoga traz. Dentre eles Marco Shultz, que inicia o projeto Simplesmente Yoga e Edson Charles que em 2003, com Paula Saboya, funda o Shiva Shankara.

Alguns professores vaishnavas começaram a atuar já no final de 1990, mas ainda sem formação nos moldes Vedanta Vaishnava. Os que ainda atuam e se destacaram em seus trabalhos foram Kely Parayana, Ramananda e Hari Dharshana, formados pelo Yoga Integral de Sri Aurobindhu; Shesha formado por Mônica Prado (Mandakini), mas ainda sem os moldes do Vedanta Vaishnava Yoga. No sul, Goura Nataraja e Maha Muni também iniciaram seu trabalhos sem uma formatação Vaishnava. Todos demonstraram competência e imunidade às questões políticas e administrativas do Yoga no Brasil.

Em Janeiro de 2004, alguns professores de Yoga se reúnem com Professor Hermógenes no Ashram Vrajabhumi (Teresópolis-RJ). A reunião tratou sobre a atual realidade do Yoga e os rumos que poderiam ter sem uma direção voltada aos conceitos essenciais do Yoga: Tradição e Espiritualidade no Yoga para o Século 21. Dentre os professores presentes estavam Edson Charles, Mônica Prado (discípula de Hermógenes e formada pela ABPY). Encabeçava a reunião Chandramukha Swami (discípulo de Hrdayananda Goswami – International Society for Krishna Consciousness). Em Julho de 2004 inicia-se o projeto Vedanta Vaishnava Yoga (VVY)[ii] e tem início o Curso Livre de Formação de Instrutores de Yoga sob orientação de Mônica Prado. O curso foi o primeiro no Brasil a formar instrutores de Yoga com especialização na Filosofia Vaishnava Vedanta e conceitos de Bhakti-yoga, tendo como base as escrituras modelares do Yoga: Srimada Bhagavatam, Bhagavad-gita, Vedanta-sutra e Yoga-sutra. Deste primeiro Curso são formados os professores Pedro Paravyoma, Nilo Pedro, Sri Dhama Dasi, Lalita Gopi Dasi e Baladeva, e Jayadvaita. Ainda em 2004, inicia-se no Brasil a publicação de “Cadernos de Yoga”, dirigida por Pedro Kupfer, contendo artigos de professores e estudiosos de diferentes linhas do Yoga.

A partir de 2005, o Yoga se propaga imensamente por todas as capitais do pais. A mídia passa a divulgar cada vez mais uma ótima imagem do Yoga, valorizando a espiritualidade. Diferentes estilos surgem apenas para popularizar a prática do yoga em academias de ginástica e grandes condomínios. Ao mesmo tempo, alguns praticantes procuram se aprofundar nos conceitos filosóficos e teóricos. Os meios acadêmicos abrem novas disciplinas que aproximam o Yoga dos estudos científicos numa visão moderna. Nilo Pedro inicia em 2010 a primeira turma do Curso Livre de Fundamentos do Yoga para alunos do Departamento de Lutas da Escola de Educação Física da Ilha do Fundão (UFRJ) em que mais de quarenta alunos lotam as aulas de teoria e prática do Yoga.

Saúde, bem estar e espiritualidade passam a ser os mais buscados propósitos da prática de yoga em 90% dos atuais praticantes. Como é descrito definido no Bhagavad-gita, Yoga é equanimidade. E pela História do Yoga no Brasil, vemos que o melhor caminho para uma prática é aquele que nos conduz à equanimidade diante das situações adversas. Estamos ainda neste processo infinito de amadurecimento espiritual e maturidade prática. Estamos fazendo parte de pelo menos a história de nossa trajetória por esta breve vida.

NOTAS


[i] São sócios beneméritos da ABPY, os professores Antonio Rodrigues Coutinho, Maria Bicalho de Andrade e José Hermógenes de Andrade Filho, e sócios eméritos as Professoras Léa Mello e Marilda Velloso Barros da Silva. São 29 os sócios fundadores da ABPY: Alfredo Varella Rodrigues Chaves, Anna Maria Simões de Morais (licenciada), Aura Perly Pancera, Beatriz Freiri Arnt, Bernardo José Domingos Perisse, BG Del Denna, Carmen Sylvia Motta Penteado Parkinson, Dagmar Krebs (licenciada), Domingos Alencar, Eneida de Oliveira Santos (desligada), Gracila Coutinho Bevilaqua, Graziella Preuss, Jacy Pontes Vaz, Jean Pierre Bastiou (licenciado), Lavinia Genab, Maria Augusta Figueira Cavalcanti, Maria Cristina de Ataliba Nogueira Cinchini, Maria Emília Moreira Goulart, Maria Eugênia Silva Telles, Maria Eugenia Soares de Almeida, Maria de Lurdes Machado, Marly Rafael Mayer, Nilda Fernandes Mesquita (licenciada) , Orlando Cani, Ovidio Juan Carlos Trota (desligado), Vitor Binot (falecido), Yone Marion Müller Martinez, Zilda Cordeiro Vianna e Zomar Pontes Ramos.

[ii] A Escola Vedanta Vaishnava Yoga se prepara para iniciar sua segunda turma em 2011.

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3 comments

  1. fui aluno dfa acdemia de asana yoga vayuananda e tenho que dizer que foi o melhor periodo da minha vida, meu saudoso e sempre amadop mestre VAYUANANDA cooom quem convivi durante varios anos só me ensinou coisa boas, inclusive a pratica da asana yoga. Prostaçoes e reverencias a ti guruji sagrado estarás sempre em meu coração e serei sempre nteu chela

  2. Conteúdo muito rico sobre a história do Yoga no Brasil !
    Parabéns Yoga Sempre =]

  3. Saudações!
    Agradecemos sua apreciação. Realmente temos pouco material à disposição e muitos detalhes mau compreendidos. Este artigo é apenas o início para nossas pesquisas sobre o tema. Podemos ampliar, aprofundar e melhorar mais este conteúdo. Suas palavras entusiasmaram-nos a isto.

    Namaskar!

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