O Professor de Yoga

O papel do Professor de Yoga

Por Jayadvaita Das

 

O papel do professor de yoga não é passar a mão na cabeça do aluno, como aprovação a qualquer disparate para mante-lo na lista de mensalidades do final do mês. Nem é seu papel ficar preso às redes sociais postando suas fotos (selfies) e constatações ‘iluminadas’ para acompanhar – impulsionado pelo ego-zen – quantas curtidas foram dadas ou quantos novos seguidores entraram em seu perfil.

O papel do professor de yoga é conhecer a verdade, viver a verdade e ensinar a verdade. Seu papel principal é possibilitar que seus alunos se tornem mais conscientes de si e menos dependentes ou adoradores de ídolos.

O papel do professor de yoga é ensinar seus alunos a usarem as armas adequadas para vencer a ignorância que tanto tem devastado a verdade dentro do ser humano. Isto é ser verdadeiro e atuar de maneira transparente na relação com seus alunos. O resto, é enrolação.

Professores de yoga que ficam apenas ilustrando o yoga como uma prática de viver feliz e sem problemas, como atores de cinema, não são professores verdadeiros ou responsáveis. Infelizmente muitos alunos estão confiando em pessoas não confiáveis: como pode alguém que esconda a verdade de uma prática de yoga, que não mostre um viés coerente da realidade sem ter que fugir para um oásis beirando a loucura, que considera yoga como um sorriso excêntrico de satisfação sem causa – ser confiável? Hipocrisia é o oposto do proposto pelo yoga.

E são muitos que se passam como professores de yoga, até que algum aluno um pouco mais consciente comece a observar melhor a conduta, o comportamento fora da aula ou mesmo sua exibição em sala de aula; até que um aluno com mais conhecimento filosófico observa que seu professor está sendo hipócrita; até então, podemos estar sob o encanto do professor de yoga que diz o que fazer, mas não faz o que diz. Quer pior professor de yoga que aquele que não seja capaz de servir de exemplo para seus alunos? E destes o mercado do yoga está cheio.

Muitos se vestem de sábios, indianos, mestres, gurus, monges, citam passagens ou falas de personalidades históricas (algumas até controversas), se dizem seguidores de alguma tradição, mas quando tiram toda cobertura, vestimenta e máscaras não resta nada, apenas mais uma pessoa enganada, mas que acredita estar conseguindo enganar um grupo de alunos. Truques, magias, efeitos emotivos ou promessas não durarão muito tempo; logo, suas trapaças como comediante se acabam.

Mas, o pior tipo de suposto professor de yoga é aquele que, além de não orientar devidamente seus alunos, se aproveita de situações para se beneficiar, explorar e se avantajar. Como? Neste caso, desce-se ao mais baixo nível da índole humana, considerando o sério posto que um verdadeiro professor de yoga possui: assédio.

Sim, muitos propensos professores de yoga possuem este mal e investem em alunos que apresentam sintomas de carência, indefinição ou, como se diz, que está ‘na pista’. Respeito, distinção, honestidade e sinceridade são as características de uma pessoa educada e um verdadeiro professor de yoga é uma pessoa educada – consciente. Um verdadeiro professor de yoga nunca se lançará sobre uma aluna (ou aluno) com intenções de seduzir ou se aproveitar da situação: beijinhos, encontros para um suco, cinema ou coisas do tipo, estão fora da programação que o professor de yoga realiza com os alunos, em particular.

Os alunos mais inocentes projetam no professor de yoga um exemplo, mas ele deve ser um exemplo real, ter atitude que justifique sua conduta como professor de yoga; apenas ser tido como professor de yoga não o qualifica como tal; é preciso muito esforço, muita dedicação e seriedade. Yoga não é brincadeira e ser professor de yoga não é uma farra de diversão, festinhas e azaração. Não! É postura, não encenação.

Logo, declaro convicto que um real professor de yoga é um exemplo que estimula e motiva. Assim como não existe um falso mestre (o fato de ser falso já o descredencia como mestre) não deve existir um falso professor de yoga; qualquer tipo de característica negativa descrita acima e presente em seu ‘professor’ de yoga, mostram que ele não é um professor de yoga.

O professor de yoga deve ser um exemplo a ser seguido; mas ele não deve se impor nesta qualificação; ela deve existir naturalmente, como parte dele, como resultado de sua maturidade e realização. Caso contrário será mera exibição, sem conteúdo. Assim, um professor de yoga verdadeiro é um acharya, que em sânscrito significa um mestre que ensina pelo próprio exemplo: um líder educador.

Disciplina

Com domínio para ensinar pelo exemplo, o professor de yoga não foge à disciplina, mas a segue em toda sua vida, aplicando disciplina nas atividades, principalmente mentais. Do mesmo modo, o professor terá condições de ensinar e estimular seus alunos à disciplina.

A disciplina não é algo secundário, ela deve permear toda prática do aluno, pois seu objetivo será lhe dar maturidade ao lidar, de maneira saudável, com as situações da vida. O momento da aula não deverá ser um momento de diversão, de recreação em que todos compartilham suas atividades, seus sonhos e ostentações. Não, o momento da prática será apropriado para introspecção, um tipo muito claro de prática que se diferencie da exibição.

O bom professor saberá estimular que seus alunos sejam mais interiorizados, e mesmo aqueles mais agitados e ansiosos ficarão gratos por tal conquista, silenciosa e bem expressa, de seu professor.

Intimidade

Nada de tapinha nas costas. Seu professor é um orientador e como tal não deve também lhe dar tapas nas costas, pois yoga não é para satisfazer crises emotivas nem para exaltar sentimentalismo barato e açucarado. Na intimidade seja coerente, nada de se expor ao seu professor, pois ele, como um bom professor também não deverá se expor a você. Telefonemas, whatsapp, tudo pode ser motivo para estreitar uma intimidade – mas, com seu professor de yoga, a única intimidade a prevalecer deve ser a de dúvidas e orientações.

Integridade

Em vez de intimidade, o professor de yoga desenvolve integridade com seus alunos, a qual se refletirá na conduta, no respeito e no comprometimento estabelecido na relação entre professor e aluno. Um professor íntegro será fundamental para seu desenvolvimento como aluno, em sua prática de yoga. Considero esta característica de integridade como das mais importantes, pois é fruto da consciência do sagrado que o professor de yoga deve possuir.

Entretanto, sagrado não significa fanatismo, sectarismo ou dogmatismo; sagrado tem haver com tradição e ter uma tradição é o que caracteriza a integridade de um bom professor de yoga. Todo modismo do yoga passará em algum momento, e com ele muitos professores da moda também se irão. A continuidade de um processo ou de um método é mantido quando não se dilui nos modismos de estilos que brotam como erva daninha e proliferam como mais um novo estilo de revitalizarão do yoga – mas, yoga não precisa se revitalizar, é um sistema que se auto revitaliza na mesma proporção que se pauta sobre a tradição.

Se você quer uma prática séria, fuja das modas de estilos que surgem e passam como estações do ano. Deixe o professor que muda de estilo a cada nova onda que disponta no horizonte da mídia.

Seriedade

Como é que você percebe ou entende a seriedade de seu professor de yoga? E como você, professor de yoga nota a seriedade de seus alunos? Se não houver seriedade de ambos os lados, não haverá progresso na prática, mas a responsabilidade será do professor, que não foi capaz de dispertar a seriedade dos alunos – mas, porque ele não consegue? Será que ele mesmo é sério? Observe isto em sua prática: até onde consegue ser sério em sua disciplina? O que falta para seu professor estimular esta seriedade em você?

O papel do professor de yoga será, portanto, ensinar disciplina, integridade e seriedade, e em como aplicar estas ferramentas no processo de autoconhecimento. O papel do professor de yoga será dar conscientizar seus alunos de seus papéis como alunos. Quando os dois papéis estão presentes, o processo de yoga se realiza por completo, na consciência de ambos. O resultado será paz – a realização interior da cultura da paz.

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