Uma resposta à Ansiedade

Yoga na redução da ansiedade

A ansiedade não é um problema novo. Desde a antiguidade temos seus registros em diferentes civilizações. Para os Gregos, ela era tida como sofrimento, cujo diagnóstico evidenciava a ausência de vitalidade. Patañjali a identificou como instabilidade mental e estabeleceu que o yoga é seu contraponto: a equanimidade. Na tradição filosófica da Bhagavad-gita entende-se que a ansiedade se origina da indistinção entre o eterno e o efêmero, isto é, quando o sujeito não está hábil em distinguir entre o que é transitório do que é permanente, torna-se vulnerável às emoções e estímulos sensoriais que provocam alterações em seu campo de memória ou de projeções – remetendo o fluxo vital psíquico aos registros de experiências passadas ou para projetos ainda não realizados. Notamos, desse modo, que a questão dos transtornos mentais, especificamente o transtorno de ansiedade, precisa ser analisado por um viés filosófico. O que causa estas expectativas? O que motiva a necessidade de reviver o passado?

Muitas vezes, até mesmo a insistente luta por estar no momento presente se torna causa de ansiedade. Caso não se entenda tempo-espaço como conceitos físicos essenciais, não se constatará a presença no momento presente: tempo e espaço envolvem o fenômeno presencial de qualquer ente possível. É no tempo que se rege a presença temporal da existência. Apenas no espaço se estabelece o fator fenomenal da existência. Isto indica que a ansiedade surge quando não se está existindo no tempo e no espaço reais da experiência fenomenal. Ou quando o ente não está manifestando-se a partir de sua essência, por exemplo, a essência da faca é cortar, da água é molhar, do fogo é secar. Do mesmo modo, a essência do ente humano é integrar sua essência à essência divina através de sua propensão natural de servir e amar. A princípio, ao perder estas duas propensões, abrimos a lacuna para que a ansiedade se manifeste. Logo, não é o mundo que torna o homem ansioso, mas sua estrutura interna que permite com que a realidade do mundo invada sua natureza no modo de ansiedade.

Nas últimas décadas a realidade passou a ser questionada em relação ao campo virtual. Cada vez mais se intensifica a interação do indivíduo com uma realidade imaginária e consequente desconexão de sua realidade física, fisiológica, psicológica e existencial. Quando se está inserido por completo no campo imaginário, a realidade se torna quase que insuportável e o constante retorno à imaginação como meio de anulação do real passa a ser a regra. Naturalmente, isto é algo artificial.

A impossibilidade de suportar a realidade em sua instância fenomenal força o indivíduo ao transtorno mental. Como resultado, as pessoas fogem do presente arrastando o passado ou lançando-se ao improvável futuro. Na etmologia das palavras antecipar (agarrar) e precipitar (apressar) temos a indicação de que tanto o passado quanto o futuro geram ansiedade, pois agarrar-se ao passado não difere de precipitar o futuro, uma vez que projeta-se no futuro uma renovação da experiência tida no passado (o que é impossível). Logo, quando não se está consciente do momento presente não se está em lugar algum, já que a antecipação e a precipitação são irreais, imaginárias, improváveis. Disto, devemos entender que no presente ocorre a junção da realidade subjetiva na realidade objetiva – nunca o contrário. Outro fator que pode ocorrer é o imediatismo vazio: nem o passado, nem o futuro, mas uma desenfreada tantativa de intensificar plenamente a experiência vazia do presente. Neste caso, o presente não é real, mas o produto imaginado dentro de uma experiência eufórica. E o que seria a euforia se não uma intensificação da experiência imaginária do presente hipotético?

Assim, podemos resumir a ansiedade como direcionamento da energia mental em excesso ao passado ou futuro. Quando se procura no presente a revisitação de uma experiência passada ou projeção de uma experiência futura, o presente se torna vazio e mesmo que procure vive-lo com toda intensidade, não o vivenciará na realidade, mas na mais profunda imaginação. Esta transição da realidade fenomenológica para uma realidade imaginária é a lacuna que possibilita o terreno fértil à ansiedade.

Tal ruptura cinze a estrutura ontológica da experiência existencial, pois desalinham-se os fatores tempo e espaço. Quanto mais se lançar a uma experiência distante destes parâmetros, maior a lacuna da qual brotará a ansiedade – ou seu oposto: a depressão.

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Existem algumas técnicas importantes e eficazes que contribuem para a redução de ansiedade e suas consequências como déficit de atenção, foco, concentração, determinação e serenidade. Leia nosso artigo sobre A Ciência do Pranayama e sua aplicação Terapêutica.

 

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