A Ilha da Existência

Considerações sobre a Eternidade

Por Jayadvaita Das

Há elementos que atam a consciência à existência material, limitando-a às funções mais básicas e insatisfatórias. O fator mais preponderante de nossa existência humana é a consciência e se ela fica restringida a um campo limitante de experiência, certamente os resultados de uma existência serão definidos pela aceitação de crenças e dogmas que pouco auxiliarão no real sentido da vida humana: a autorrealização espiritual.

Preservando um padrão de consciência material ou mundana, tudo que chegar até os sentidos de percepção do mundo, será favorecido por expectativas infundadas que nada mais são do que crenças. Porém, que garantia se preserva numa crença que justifique a transitoriedade da existência? O que é transitório possui uma natureza diversa do que não se extingue com o passar do tempo, pelo simples fato de que na passagem do tempo, no transcorrer da existência de todos os corpos e formas possíveis, há mudanças que transformam as condições de um estado a outro. Por exemplo, quando na fase infantil, todos possuíam um corpo dado à condição de existência infantil. Com o passar dos anos, aquele corpo infantil passou por transformações que mudaram por completo a condição física do corpo, mas não alterou em nada a constituição eterna da alma.

Embora todos os elementos que dão condições à existência material mudem com o passar do tempo, a força viva que habita o corpo material não muda. A alma é imutável. Agora, o que é o ser? O corpo mutável ou o ser espiritual que o corpo habita?

Se todos os fatores desfavoráveis se mostram presentes à consciência eles afetarão a camada material da consciência e não a essência desta mesma consciência. Se a consciência está identificada com a camada física e corpórea, todos os fatores que afetam o corpo direta ou indiretamente afetarão a consciência. Mas, se esta consciência transcende os limites impostos pela identificação, certamente o transitório deixará de afetar o eterno – principalmente por não haver condições reais de algo temporário prejudicar algo eterno. Isto é algo simples de se entender! Então, por que sofrer? Qual a causa real do sofrimento?

Enquanto se mantiver a consciência material predominando sobre a autoconsciência, não haverá condições reais de realização da natureza intrínseca do ser. O real é o que não se deteriora com o passar do tempo; o transitório é aquilo que não perdura ao longo do tempo. Isto é enfatizado na Bhagavad-gita 2.16, onde se demonstra que o sábio deve saber distinguir entre o eterno do transitório e se situar na transcendência, isto é, em sua natureza eterna, tornando-se capaz de superar as limitações impostas pela identificação mundana.

Qualquer sofrimento causado por condições externas ou mesmo criadas no campo mental, psicológico, não passa de mera fração ilusória. Assim como uma ilha no meio do oceano pode permanecer inalterada por milhões de anos, embora as ondas insistam em invadi-la e destrui-la no confronto entre força e resistência, do mesmo modo, a alma espiritual que constitui o ser eterno, não se aflige diante das ondas turbulentas da existência material que afetam a mente. O foco deve se manter na transcendência imperecível do ser no Supremo e não se identificar com as mudanças continuas pela qual se passa durante a existência humana (B.g. 9.34).

Por este motivo, a imagem de uma ilha pode nos trazer uma reflexão interessante sobre nossa existência de sofrimento e a possibilidade de aprendermos a viver uma existência plena de eternidade e realização.

Assista ao breve vídeo de reflexão sobre a eternidade:

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