A busca pela Mente Plena

Mente plena é alcançada por aquele que conquistou

a estabilidade mental.

 

O conceito de asana no yoga é definido como posição firme e confortável e objetiva a estabilidade mental, o foco no momento presente.

Por Jayadvaita Das

No Bhagavad-gita entende-se que o conceito de mente estável é quando a atenção está focada em um único ponto, em um único objetivo. Do mesmo modo, Patañjali diz que para se alcançar a concentração como estágio preliminar à meditação, é necessário manter a mente focada num único objetivo (ekagraha). Tais conceitos estão presentes na literatura védica e estão inseridos nas técnicas de meditação mindfulness. Entretanto, é necessário compreender o que é este conceito de mente plena.

O mesmo conceito que Patañjali usa (ekagraha) é apresentando no Bhagavad-gita como vyavasayatmika buddhi. Ambos expressam a ideia de foco da consciência, concentração da mente, determinação e ausência de dispersão. São conceitos caros nos dias atuais, mas essenciais a quem deseja desenvolver o controle mental como exercício para o avanço no processo de yoga. Eka significa um; graha, ponto, objetivo ou foco. Vyavasayatmika é formado por duas palavras: sem desvios, determinado (vyavasaya) e no processo da alma (atmika); além disso, temos também a palavra inteligência espiritual, ou razão pura (buddhi).

Ambos termos devem ser entendidos como sinônimo de samattva, que significa equanimidade. Logo, possuir equanimidade é característico de quem alcançou esta determinação no objetivo máximo da vida humana. Ou seja, definiu o propósito de sua existência enquanto ser espiritual (atmika) e segue rumo à realização deste propósito em sua vida. Ele não mais se afligir por derrotas, fracasso, vitórias ou conquistas, pois entende a transitoriedade de tais condições. Porém, não se entrega a um modo de vida inerte, conformista ou apático.

Sem esta definição certamente será mais difícil o processo de autorrealização. E por que?

Também no Bhagavad-gita, capítulo 2 verso 56, encontramos outro termo importante para se compreender este conceito do yoga: sthita dhir muni. Este termo se refere ao sábio ou yogi que possua mente estável, imperturbável. Sthita é firmeza inabalável. Dhir é sobriedade ou estabilidade, e muni expressa alguém que tenha conhecimento e sabedoria. Muitos podem possuir sabedoria ou conhecimento amplo, mas poucos são dotados de consciência sóbria e imperturbável.

Por exemplo, cientistas, pensadores, filósofos são vistos como pessoas dotadas de vasto conhecimento e sabedoria. Porém, estes se limitam à compreensão sobre elementos e fatores materiais da realidade. Poucos são os sábios que dominem realmente tópicos metafísicos, ou que tenham realização metafísica na prática e não apenas na teoria. Isto é o que distinguirá um conhecedor dos elementos materiais de um conhecedor dos fenômenos transcendentais.

Agora, pode-se questionar sobre a validade de tais concepções apresentadas por um transcendentalista, considerando a utilidade deste conhecimento para a vida prática. Em resposta, podemos entender que a matéria não abarca a transcendência, senão que é abarcada por esta. O conhecimento material é transitório e impermanente, ao passo que o conhecimento metafísico é atemporal. Deste modo, dominando os parâmetros definidos pela metafísica, o sábio pode compreender a realidade fenomenal da matéria e a existência transcendente da consciência que tudo permeia na matéria. Compreendendo a natureza metafísica da matéria, se compreende por completo a matéria, e não o contrário – como exposto no verso 55 do capítulo 2 do Bhagavad-gita.

Com isto, devemos entender que mente plena não é apenas um estado mecânico da mente, mas um estado de consciência que pode ser alcançado plenamente quando se está fixo em sua natureza intrínseca, em sua natureza espiritual. Quando olhamos a realidade a partir deste ponto, ela ganha outro estágio de compreensão que certamente não mais afetará nosso estado mental, nem criará instabilidade. Somente assim conseguimos o ambicioso estado de mente estável ou mente plena.

Assista ao vídeo onde ampliamos um pouco mais esta reflexão.

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