Controle Mental

Assuma o controle de suas emoções em seu cérebro

Por Jayadvaita Das

Parte 1
O que diz o artigo?
  • Autoconhecimento;
  • Controle mental;
  • Cérebro emotivo;
  • Quebra de impulsividade;
  • Mudança de padrões mentais.

Resumo:

O cérebro humano possui três áreas com funções distintas

e para se conquistar o autocontrole 

devemos subjugar os impulsos imediatistas 

provenientes da área mais primitiva do cérebro,

a qual atua e comanda grande parte de nossas decisões.

 

Controle mental foi um tema que sempre me atraiu e me levou a buscar por sua habilidade. Você conhece alguém que não tenha controle de suas emoções, que seja indisciplinado ou que não consegue colocar em prática suas aspirações na vida? Certamente, sim. Mas, e você: como está o controle mental nas situações que surgem?

 

Primeiro, vamos entender alguns pontos. 

Como funciona o mecanismo do cérebro? Embora pareça estranho, temos três cérebros: um formado em estágio primitivo que cuida de atividades básicas como defesa e ataque. Outro estágio mais desenvolvido é dedicado às emoções, sentimentos. Por fim, o neocórtex é responsável por possibilitar atividades cognitivas, abstratas e reflexões mais elevadas. 

Por exemplo, quanto mais tomadas de decisões são advindas do cérebro primitivo, mais desfavoráveis serão nossas ações no processo de desenvolvimento pessoal. Vamos pensar sobre a escolha por uma refeição junk food, por exemplo. Certamente você não escolheria uma refeição ruim para seu corpo, sua saúde ou mesmo para o seu cérebro. Mas, algumas escolhas são feitas sem este cuidado. Por quem? Alguma parte de você que não está sob seu controle. Certo? Mas, se você passa a agir com uma visão mais longa, que ultrapasse expectavas psicológicas, e com uma estratégia que não seja de satisfação imediata –  não será a região instintiva que decidirá: ao remodelar a ação operativa do seu cérebro, você notará a abstração do tempo, sem a emergência imediata da fome, da língua ou qualquer outro impulso. Não é fácil, mas é simples.

Sofremos os impulsos do estômago, da língua, da fala e dos órgãos genitais. Eles serão os principais impulsos que deveremos domar.

Uma estratégia para esta mudança será repetir ações ou criar hábitos que ativem a região mais desenvolvida do seu cérebro. Por exemplo, se você está se alimentando mal, apenas tome consciência disto e entenda: não é sua opção, mas um impulso; e no momento que o mesmo impulso surgir, você não adere ao impulso, mas age para a mudança. 

Dê uma compensação para seu cérebro: não se alimentará naquele momento, sob aquela condição impulsiva, mas buscará outra alternativa mais saborosa, saudável, num outro restaurante, ou mesmo, quando chegar em casa. Não importa como solucionará. O que importa é que não cederá como vítima da emoção momentânea. Isto é um treino. Ao treinar seu modelo mental, não cairá novamente no modelo de decisões emocionais – e você vencerá os impulsos gerados em seu cérebro.

Veja, se você não vencer este impulso emotivo ele o vencerá. No início parecerá pouco provável que mudará algo mas, lembre-se:  seu cérebro está programado para resultados imediatos e você está agora com objetivos de longo prazo, isto é, você não quer uma satisfação momentânea, mas verdadeira satisfação que não se limita a uma satisfação de modelo neuroquímico temporário. Para chegar à este resultado, não basta o desejo, o pensamento positivo – precisará de ação, comportamento estratégico e determinação. Lembre-se: não há ninguém contra você; é apenas seu ego que trama o seu fracasso. Ele molda seu modo de pensar e entender a realidade, porque segue o modelo instintivo e imediatista do seu cérebro.

Imagine que seu cérebro é o hardware e sua mente o programa. Não confie em nenhum dos dois. Assuma o controle. Assuma os riscos de sua falha e os resultados de suas escolhas, que agora serão suas e não de seus impulsos.

Mesmo que pareça difícil fazer esta mudança, comece por modelar este novo comportamento em sua mente. Sim, desenhe em sua mente. Dedique alguns minutos do seu dia para meditar e redesenhar o seu campo mental; modele nele o comportamento que quer desenvolver diante das emoções que agora são suas conhecidas – você as identificou, não são mais você. 

Como? Exercite mentalmente as situações mais difíceis e desagradáveis em sua mente, e mantenha-se no comando destas situações hipotéticas em sua mente. Enquanto exercita a imaginação destas, exercite também a solução que você daria a elas na prática. Quando elas surgiram em sua vida real, você estará preparado, pois já antecipou a situação, previu o inimigo. 

Na verdade, você exercitou suas emoções, seu cérebro, nada mais. Porém, este simples exercício não contém tudo o que transformará a vida.

Você precisa exercitar a identificação de qual emoção está em jogo no momento que a decisão assume o comando. Ao identificar a emoção conseguirá ativar a postura interna que mudará o percurso da ação. Assim, não será conduzido pelas emoções que modelam seu comportamento, mas passará a dominar o quanto as emoções definem seu modo de vida, seu comportamento, suas escolhas e principalmente, a qualidade de sua consciência – o modo como você experiencia e valoriza sua relação com a realidade. Não é fácil, mas é simples.

Você não deve fugir dos desafios, das dificuldades e dos confrontos. Se esquivar das situações amargas que surgem nas experiências da vida, é um modelo fraco que não lhe dará o aprendizado que lhe fará capaz de identificar seu verdadeiro eu no controle das emoções, dos pensamentos e dos desejos.

Dê este primeiro passo antes de continuar a ler o próximo artigo que complementará este.

Leia a Parte 2

Check Also

Consciência de Alta Qualidade

É necessário refinar a qualidade de nossa consciência, pois será este o fator que realmente ...