Hábitos para o Autodesenvolvimento

O eu como o próprio objeto de análise científica.

 

Já pensou em como você pode ser mais feliz, menos deprimido, ter menos ansiedade ou medo? Vou lhe contar o resultado de uma pesquisa que trouxe alguns fatores interessantes para pensarmos. Na verdade, tudo isto apenas para indicar dados que podem sustentar a necessidade e simplicidade do autodesenvolvimento.

 

Antes, quero lhe dizer que todos os dados de pesquisas são cabíveis de erro, pois a ciência empírica não nos dá bases para levarmos seus resultados a outra análise que não a empírica. Para tanto, digo que há dois tipos de hábitos: entitivos (ligados ao conhecimento) e operativos (ligados à ação). A partir disto, tenhamos uma visão mais clara sobre os fatores descritos abaixo. 

Temos muitos best-sellers internacionais e palestrantes motivacionais com cartas da psicologia positiva no bolso. O pivô que alimenta o sucesso, a performance e o desempenho no trabalho. Mas, como funciona isto? Será que alguém consegue vencer o medo, a depressão e alcançar a felicidade com sugestões e ‘mantras’ pessoais?

Primeiro fator dado pela ciência: Encontre algo que te faça olhar mais distante… Um estudo descobriu que as pessoas que pensaram em assistir seu filme favorito aumentaram seus níveis de endorfina em 27%. Então, os níveis de endorfina são como uma espécie de droga de felicidade que seu cérebro libera e faz você se sentir bem; reduz o estresse, aumenta a felicidade.

O que podemos encontrar na vida, todas as noites? Há uma máxima de que você deve fazer algo divertido, talvez não sete dias por semana, mas seis dias por semana no mínimo. Você deveria ter algo para esperar. Algo real que faz você pensar que, ao final do dia aquela recompensa final chegará e, ali mesmo, você libera 27% mais endorfinas – que talvez se traduza em 27% mais felicidade.

O segundo fator: gastar dinheiro, mas não em coisas. Ao contrário do ditado popular, o dinheiro pode prudentemente comprar felicidade, mas, se for usado para fazer coisas boas e prudentes, ter experiências boas e prudentes, ao invés de simplesmente ter coisas. Adquirir mais um relógio, bens materiais, sapatos, televisores e outros objetos não comprovou cientificamente o aumento de endorfina, ou seja, não seria capaz de nos tirar da depressão ou nos deixar mais felizes.

Agora o mais importante: foram entrevistados mais de 150 pessoas sobre suas compras recentes. Eles descobriram que o dinheiro gasto em atividades como viagens, shows, jantares com amigos ou familiares trouxe muito mais prazer do que aquisição de bens e objetos. Estes pesquisadores até definiram estes gastos como “pró-sociais”. Gastar dinheiro com outras pessoas. 

Em outro experimento, 46 ​​estudantes receberam US$ 20 para gastar. Os que foram instruídos a gastar o dinheiro com outras pessoas ficaram mais felizes no final do dia do que aqueles que apenas gastaram com coisas pessoais. Então, pense em quais são seus hábitos de consumo? Faça duas colunas, com as que trazem felicidade e as que parecem te dar felicidade.

Terceiro fator: exercitar a força de suas habilidades. Uma das técnicas que aprendi com alguns de meus mentores, e que me facilitou na superação de ansiedade, insatisfação ou medo, foi desenvolver o hábito de fazer diariamente as coisas que sei fazer bem, aquelas em que tenho habilidade. Por exemplo, Michael Jordan gosta de basquete e ele provavelmente não fica deprimido quando está exercitando esta habilidade. Agora, talvez você não seja um atleta profissional, e isto se torna um pouco mais desafiador. Mas, se você é bom em leitura, se você é bom em organizar ou planejar, se você é bom em comédia ou em declamar, se você é bom em falar em público ou ajudar outras pessoas, certifique-se se você está no lugar certo, se está no emprego que lhe completa ou se precisa mudar de emprego, mudar sua carreira.

Algumas pessoas trocam de carreira com muita facilidade, outras são teimosas. Encontre um meio satisfatório de realizar sua maior habilidade.

Lembre-se, independente do que fizer, a maior parte da sua vida deve ser usada em habilidades que pode incluir descobrir e desenvolver novas habilidades.

Além destes três fatores: a maioria das pessoas estão antecipando o dia em que elas serão felizes. “Se eu fizer isso, aquilo e a outra coisa.” É um hábito errôneo o de “concentrar-se na felicidade momentânea…” Será?!

Há dois tipos de felicidade, e você não quer uma felicidade momentânea, certo?

Você às vezes tem que adiar o prazer presente, tal como um investidor de longo prazo que para conseguir algo mais tarde, abrirá mãos de satisfações imediatas. Mas, a maneira prática de entender e solucionar a espera de uma realização futura é que se você não estiver gostando da maior parte da sua vida, faça algumas grandes mudanças. Se você gosta da maior parte da sua vida, mas há algumas pequenas circunstâncias desfavoráveis, então você faz pequenas mudanças. Simples.

Como? Não é difícil. Se nada está indo bem, você tem que fazer grandes mudanças. Se tudo é muito bom, apenas uma coisa lhe altera a paciência, provavelmente precisará mudar muito pouco. São questões pessoais que merecem avaliação pessoal ou auxílio de um mentor.

Serão estas mudanças somadas à prática de atividades prudentes de satisfação, de caridade amistosa e de desenvolvimento hábil para o Bem que, gradualmente, fará recobrarmos a confiança, o destemor e a tolerância com os sintomas de ansiedade, fobias e depressão que podem nos acometer em certos momentos da vida. 

Agora, lembre-se que chegará o momento que talvez tenha que fazer algo mais agudo, trocar de emprego, mudar de residência, ou grupo de amigos. Você não pode sacrificar sua satisfação espiritual, a menos que esteja investindo em você mesmo, em seu desenvolvimento, e tenha que passar por longos e profundos desafios.

Ou seja, há escolhas que nos levam a desafios proporcionais. Logo, o importante nem é seguir estes fatores acima descritos, mas ter consciência das escolhas e decisões, principalmente as causas que te levam a toma-las. Isto fará mudanças significativas no campo emocional. Pois, isto nos dá capacidade de sermos menos fragilizados e de experimentarmos a vida em sua plenitude, seja nas condições menos favoráveis como nas situações mais salutares. Lembre-se, satisfação prudente, caridade e habilidade. Uma fórmula simples, que requer exercício diário. Somente assim, transformamos hábitos em autodesenvolvimento, isto é, conseguimos ter hábitos que nos levem do conhecimento para a ação prática de desprovimento por um caminho mais simples, rápido e gratificante.

Para saber mais, conheça nosso Estudo Preparatório de Autodesenvolvimento com Yoga Mindset.

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Livros sobre o tema:

  1. The Immutable In Metamorphosis An Exploration of the Essential Self;
  2. The Transparency of Things: Contemplating the Nature of Experience;
  3. Atomic Habits: An Easy & Proven Way to Build Good Habits & Break Bad Ones

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